O SUICÍDIO E A LOUCURA
A calma e a resignação hauridas da maneira de
considerar a vida terrestre e da confiança no futuro dão ao espírito uma
serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio. Com
efeito, é certo que a maioria dos casos de loucura se deve à comoção produzida
pelas vicissitudes que o homem não tem a coragem de suportar.
Ora, se encarando
as coisas deste mundo da maneira por que o Espiritismo faz que ele as
considere, o homem recebe com indiferença, mesmo com alegria, os reveses e as
decepções que o houveram desesperado noutras circunstâncias, evidente se torna
que essa força, que o coloca acima dos acontecimentos, lhe preserva de abalos a
razão, os quais, se não
fora isso, a conturbariam.
O mesmo ocorre com o suicídio. Postos de lado os que se dão em estado de
embriaguez e de loucura, aos quais se pode chamar de inconscientes, é
incontestável que tem ele sempre por causa um descontentamento, quaisquer que
sejam os motivos particulares que se lhe apontem. Ora, aquele que está certo de
que só é desventurado por um dia e que melhores serão os dias que hão de vir,
enche-se facilmente de paciência. Só se desespera quando nenhum termo divisa
para os seus sofrimentos. E que é a vida humana, com relação à eternidade,
senão bem menos que um
dia? Mas, para o que não crê na eternidade e julga que com a vida tudo
se acaba, se os infortúnios e as aflições o acabrunham,
unicamente na morte vê uma solução para as suas amarguras. Nada
esperando, acha muito natural, muito lógico mesmo, abreviar pelo suicídio as
suas misérias.
(...)
A propagação das doutrinas materialistas é, pois, o veneno que inocula a
idéia do suicídio na maioria dos que se suicidam, e os que se constituem
apóstolos de semelhantes doutrinas assumem tremenda responsabilidade.
Com o Espiritismo, tornada impossível a dúvida, muda o aspecto da vida.
O crente sabe que a existência se prolonga indefinidamente para lá do túmulo,
mas em condições muito diversas; donde a paciência e a resignação que o afastam
muito naturalmente de pensar no suicídio; donde, em suma, a coragem moral.
KARDEC, ALLAN. O Evangelho Segundo o Espiritismo,
Cap. V, itens 14 e 16.
Publicado no Jornal A Região, edição de 10 de agosto de 2012.

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