quinta-feira, 26 de julho de 2012

Coluna Espírita


Esquecimento do passado

Como espíritos imortais que somos, com uma vasta bagagem milenar, passando por várias encarnações, porque não nos lembramos das existências anteriores?

Deus, com bondade e sabedoria, nos poupa das lembranças de outras vidas, porque elas poderiam nos causar maiores dificuldades.

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, afirma que: “Ao entrar na vida corporal, o Espírito perde, momentaneamente, a lembrança de suas existências anteriores, como se um véu as ocultasse (...)” 1.

Há duas razões para que, ao reencarnar, o espírito esqueça de suas vivências anteriores:

1) De ordem moral e filosófica: se lembrássemos de nossas existências anteriores, os nossos atos insensatos (maus) estariam presentes em nosso consciente, dificultando nosso progresso e a própria reencarnação. Poderiam, por exemplo, em certos casos, humilhar-nos aos olhos de todos que nos reconheceriam; ou exaltar nosso orgulho, perturbando as relações sociais, e fazendo reacender ódios e paixões, dificultando nosso livre arbítrio.

2) De ordem científica: o cérebro físico se decompõe com a morte biológica, perdendo as informações. Na formação do novo corpo, um novo cérebro é formado, portanto sem a memória das encarnações passadas. O conteúdo das existências corporais anteriores fica armazenado no perispírito (corpo semi-fluídico intermediário entre o corpo físico e o espírito). Quando há lembranças nos “insights”, “déja-vu”, ou em terapias regressivas a vivências passadas é acionada a memória espiritual, que nunca é perdida.

Kardec questiona: “Como pode o homem ser responsável por atos e resgatar faltas de que não se lembra? Como pode aproveitar da experiência de vidas de que se esqueceu?” E recebe como resposta: “Em cada nova existência, o homem dispõe de mais inteligência e melhor pode distinguir o bem do mal” 2.

Completando o raciocínio da espiritualidade, o Codificador assim termina o comentário à questão: “Se não temos, durante a vida corporal, uma lembrança precisa do que fomos e do que fizemos de bem ou de mal em existências anteriores, temos a intuição disso, e nossas tendências instintivas são uma lembrança do nosso passado, às quais nossa consciência, que é o desejo que concebemos de não mais cometer as mesmas faltas, nos adverte para resistir”.

O esquecimento do passado ocorre somente a nível físico. Ao retornar à pátria espiritual, readquire o espírito a lembrança do passado, porque é sobretudo na vida espiritual que o espírito tem condições de avaliar sua própria vida física e se questionar sobre os equívocos cometidos.

Há ainda, enraizada em muitos, a crença das penas eternas, onde Deus “castigaria” eternamente aqueles que errarem. Todavia, Jesus veio transmitir a verdade de Deus e nos ensinou que devíamos perdoar não sete vezes mas setenta vezes sete, então, porque Deus não teria condições de perdoar aqueles que erram por imperfeição, durante o processo evolutivo? A nova encarnação, podemos dizer, é o perdão incondicional de Deus dando-nos nova oportunidade de recomeçar, em busca da tão almejada felicidade.

O que realmente é importante não é a lembrança do passado, e sim a importância que dermos ao presente, porque o futuro é o resultado do que fizermos do nosso presente, pois somos herdeiros de nós mesmos.
Pricila Lehn
1KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. São Paulo. Petit Editora, 1999. Comentário à questão 399.
2Idem. Questão 393.
Referência:
LIMA, Inácio Lacerda. Esquecimento do Passado. Reformador. Rio de Janeiro, FEB, ano 121, n. 2095, out. 2003
Extraído do site www.searadomestre.com.br, acesso em 07/05/2012
Publicado no Jornal A Região, edição de 20/07/2012.

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